AVC é a segunda doença que mais mata no Brasil

Segundo a Sociedade Brasileira de AVC, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) é a segunda doença que mais mata os brasileiros e a principal causa de incapacidade no planeta. O número de mortes pela enfermidade no mundo pode crescer em até 50% e chegar a 10 milhões de casos até 2050, como mostra o estudo da Organização Mundial do AVC e publicado na revista científica Lancet Neurology. Entrevistamos o neurocirurgião Jamil Farhat Neto para falarmos sobre o tema.
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1 – Qual é a diferença entre o AVC hemorrágico e o AVC isquêmico?

Dr. Jamil Farhat Neto: Imagine que o cérebro é uma cidade, e o sangue é a estrada que leva nutrientes e oxigênio para lá. O AVC, ou Acidente Vascular Cerebral, é como um problema no trânsito dessa cidade cerebral. O AVC hemorrágico acontece quando há um “vazamento” nas estradas, ou seja, um sangramento no cérebro. É como se uma parte da estrada desmoronasse, causando danos locais. Já o AVC isquêmico ocorre quando uma estrada é bloqueada, impedindo o fluxo normal do sangue. Isso pode ser causado por um coágulo, como um grande obstáculo no caminho, privando uma parte do cérebro dos nutrientes e oxigênio necessários. Ambos são sérios e precisam de atenção médica imediata, mas são desafios diferentes no “tráfego cerebral”. O tratamento e a recuperação variam. É fundamental identificar o tipo certo para garantir a melhor abordagem.

2 – Quais são os fatores de risco?

Dr. Jamil Farhat Neto: Para responder essa pergunta, eu vou fazer uma outra associação. Imagine que o cérebro é uma fábrica importante e precisa de um suprimento constante de energia para funcionar direito. Agora, os fatores de risco para o AVC são basicamente coisas que podem bagunçar essa fábrica.

- Pressão alta (Hipertensão): É como ter canos muito apertados, forçando o coração a trabalhar mais e podendo causar danos aos “canos” mais finos no cérebro.

- Fumar: Pode ser comparado a jogar substâncias tóxicas na fábrica, prejudicando as estradas e aumentando o risco de entupimento.

- Diabetes: Imagine que o controle de açúcar no sangue é como manter a energia elétrica estável na fábrica. Se falhar, pode prejudicar o funcionamento.

- Colesterol alto: É como ter muito “entulho” nas estradas, podendo criar bloqueios e dificultar a circulação do sangue.

- Estilo de vida sedentário: Se você não se mexe muito, é como deixar as máquinas enferrujarem. A atividade física mantém tudo funcionando direito.

- Alimentação pouco saudável: Comer muita comida gordurosa e pouco saudável é como alimentar a fábrica com combustível ruim, prejudicando o desempenho.

Então, esses são os vilões que podem atrapalhar a boa operação da fábrica cerebral e aumentar o risco de um “apagão” conhecido como AVC.

3 – Como identificar o AVC? O corpo apresenta algum sinal quando sofre AVC?

Dr. Jamil Farhat Neto: Identificar um AVC é como reconhecer sinais de problemas no trânsito cerebral. É como um alerta importante do corpo. Existem sinais que podem indicar que algo não está bem nas estradas do cérebro. Aqui estão alguns sintomas importantes: Dormência ou fraqueza súbita na face, braço ou perna, especialmente em um lado do corpo. (Pense nisso como se uma parte do corpo estivesse “dormindo” repentinamente); confusão súbita, dificuldade em falar ou entender o que os outros estão dizendo. (É como se a comunicação na cidade cerebral estivesse ficando confusa); problemas repentinos de visão em um ou ambos os olhos. (Imagine que a cidade cerebral está ficando embaçada repentinamente); dificuldade súbita ao andar, falta de equilíbrio ou coordenação. (É como se a pessoa estivesse tentando andar, mas as estradas na cidade cerebral estivessem instáveis). Se alguém apresentar um ou mais desses sintomas, é crucial procurar ajuda médica imediatamente. Ligar para o serviço de emergência é como chamar um “socorro rodoviário” para ajudar a desobstruir as estradas cerebrais. O tempo é essencial, então não hesite em buscar ajuda assim que notar esses sinais. Tratar o AVC é como consertar as estradas para que o tráfego cerebral volte ao normal o mais rápido possível.

4 – É possível fazer rastreamento precoce contra o AVC?

Dr. Jamil Farhat Neto: O rastreamento precoce contra o AVC é como ter câmeras de segurança para detectar problemas no trânsito cerebral antes que se tornem sérios. Manter a pressão arterial sob controle é como garantir que as estradas cerebrais não fiquem congestionadas; monitorar o colesterol é como fazer inspeções nas estradas para garantir que não haja obstruções; manter um estilo de vida saudável, comer bem, fazer exercícios e evitar o fumo é como garantir que a cidade cerebral funcione de maneira eficiente; entender seus próprios fatores de risco, como histórico familiar ou condições médicas pré-existentes, é como estar ciente das condições das estradas em que você está dirigindo; se você notar qualquer sinal de alerta, como dormência súbita, dificuldade em falar ou problemas de visão, é como acionar imediatamente os “alarmes” para obter ajuda médica. Portanto, sim, é possível fazer um tipo de “rastreamento” para detectar precocemente potenciais problemas que podem levar a um AVC. Estar atento e cuidar da saúde é como ter um sistema de alerta antecipado para garantir um tráfego cerebral seguro.

5 – Como é o tratamento?

Dr. Jamil Farhat Neto: O tratamento do AVC, ou Acidente Vascular Cerebral, é como consertar estradas importantes na cidade cerebral que sofreram algum problema de tráfego. Aqui estão as principais abordagens: Tratamento de emergência, assim que os sinais de um AVC são notados, é como chamar a equipe de resgate. Medicamentos ou procedimentos podem ser utilizados para restaurar o fluxo sanguíneo e evitar danos maiores. Reabilitação, depois do “conserto” inicial, é como reconstruir as estradas danificadas. Envolve terapias físicas, ocupacionais e fonoaudiológicas para ajudar na recuperação. Controle de fatores de risco é como realizar manutenção regular nas estradas para evitar futuros problemas. Isso inclui gerenciar a pressão arterial, controlar o colesterol, manter um estilo de vida saudável e outros cuidados preventivos. Alguns medicamentos são prescritos para ajudar a controlar fatores de risco, prevenir coágulos sanguíneos e manter a saúde geral da cidade cerebral. A cirurgia, em casos mais complexos, pode ser necessária. É como uma construção para melhorar a infraestrutura das estradas cerebrais e reduzir o risco de futuros problemas. O tratamento é sempre personalizado, como uma equipe de construção adaptando-se às necessidades específicas da cidade cerebral de cada pessoa. O importante é agir rapidamente, como se fosse uma equipe de emergência, para minimizar danos e começar a reconstrução o mais rápido possível.

6 – Quais são as possíveis sequelas?

Dr. Jamil Farhat Neto: As sequelas são como as marcas deixadas no trânsito cerebral após um problema. A fraqueza muscular pode ser como ter algumas estradas com tráfego mais lento, tornando os movimentos mais difíceis. Problemas de fala são como se a comunicação na cidade cerebral ficasse um pouco confusa, dificultando expressar pensamentos. Problemas de coordenação e equilíbrio tornam a locomoção mais desafiadora. Problemas de visão podem ser como ter semáforos confusos na cidade cerebral, afetando a clareza visual. Dificuldades cognitivas são como se a cidade cerebral estivesse processando informações mais devagar, afetando a memória e o raciocínio. A extensão das sequelas varia para cada pessoa, como se cada cidade cerebral respondesse de maneira única aos desafios. O tratamento e a reabilitação são como trabalhar para melhorar essas estradas e minimizar as consequências. O importante é oferecer suporte e ajuda para que a pessoa possa reconstruir e seguir em frente após o impacto do AVC.

7 – Como é a recuperação do paciente?

Dr. Jamil Farhat Neto: A recuperação de um paciente é como o processo de reconstrução de estradas na cidade cerebral. Aqui estão alguns pontos-chave sobre a recuperação: Fase aguda, no início, é como a equipe de emergência atuando para conter danos imediatos. A rapidez na resposta é crucial para limitar os impactos. Reabilitação é a fase de reconstrução, semelhante a reformar estradas danificadas. Envolve terapias físicas, ocupacionais e fonoaudiológicas para ajudar na recuperação funcional. A recuperação leva tempo, e é como a construção de estradas que demanda paciência. Cada pessoa tem seu próprio ritmo, e avanços graduais são comuns. Apoio da equipe médica e profissionais de saúde oferecem suporte contínuo, ajustando o plano de tratamento conforme necessário. O apoio da família é como ter companheiros de viagem, tornando a jornada mais suportável. O envolvimento e compreensão são cruciais. Em alguns casos, adaptações podem ser necessárias. É como ajustar o plano da cidade cerebral para acomodar as mudanças e superar desafios. A recuperação é única para cada pessoa, e é como personalizar a reconstrução das estradas de acordo com as necessidades específicas da cidade cerebral. Com o tempo, apoio adequado e esforço contínuo, muitos pacientes conseguem reconstruir uma vida plena após um AVC.


Dr. Jamil Farhat Neto - Médico Neurocirurgião
CRM141252 | RQE74302
Dr. Jamil Farhat Neto

Médico Neurocirurgião, referência em Neurologia e Tratamento da Dor

Dr. Jamil, formado na renomada Santa Casa de São Paulo, possui cinco anos de residência em Neurocirurgia e especialização em coluna. 

Sua busca pela excelência o levou a estágios internacionais na Coreia do Sul, Chile e EUA, focando em técnicas minimamente invasivas. 

Reconhecido por seu compromisso com o bem-estar dos pacientes, Dr. Jamil se destaca na implementação de soluções personalizadas e inovadoras.